
Relatório Técnico
GUAÇATONGA Casearia Sylvestris
Família: Flacourtiaceae
Gênero: Casearia
Espécie: sylvestris
Sinônimos: Samyda parviflora L.,
Casearia parviflora L., Anavinga samyda
Gaertn. f.
Nomes comuns: Burro-kaa, café-bravo,
cafeiillo, café silvestre, congonhas-de-bugre,
cortalengua, crack-open, dondequiera,
erva-de-bugre, erva de pontada, guayabillo,
guaçatonga, guassatonga, mahajo, papelite,
pau de lagarto, piraquina, raton, sarnilla,
ucho caspi, wild coffee
Partes Utilizadas: Casca,
folhas, raíz |
|
A
Guaçatonga cresce como um arbusto ou árvore pequena
geralmente com 2 ou 3 metros de altura, e que às vezes
cresce até 10 metros em áreas isoladas da Amazônia.
Em solos pantanosos da Amazônia, a planta tem se adaptado
para absorção e suporte pela formação de raízes laterais
brancas, rígidas e cobertas com uma casca com características
de cortiça.
A árvore produz flores pequenas brancas , de cor creme
ou esverdeadas com grande quantidade de folhas de
hastes curtas em suas extremidades e que cheiram como
uma mistura de mel e urina. Após florescer, ela produz
pequenos frutos entre, 3-4 mm de diâmetro, que se
abrem e revelam três sementes marrons cobertas, de
cor alaranjada ao vermelho.
A Guaçatonga cresce espalhada pelos trópicos, adaptando-se
a ambas, florestas e planícies. Ela é uma planta nativa
de Cuba, Jamaica, Espanha, Porto Rico, Ilhas do Caribe,
América Central e América do Sul (incluindo Brasil,
Peru, Argentina, Uruguai e Bolívia).
A Guaçatonga tem uma rica história na sociedade de
medicina fitoterápica em quase todos os países tropicais
em que cresce. Os índios do Karajá no Brasil, têm
o hábito de preparar uma maceração da casca para tratar
diarréia; os índios Shipibo-Conibo do Peru utilizam
uma decocção da casca para diarréia, gripes e resfriados.
Outras tribos de índios no Brasil costumam esmagar
as raízes ou as sementes da guaçatonga para tratar
ferimentos e lepra tropical. Os indígenas da floresta
Amazônica têm utilizado a guaçatonga como remédio
antiofídico.
Um decocção da folha é preparada tanto para aplicação
tópica como para ser tomada. O mesmo remédio da selva
é utilizado topicamente nos casos de picadas de abelhas
e outros insetos. Este uso nativo se espalhou para
além da floresta tropical e atualmente também é utilizada
em cidades e vilas da América do Sul na prática rotineira
da medicina fitoterápica.
Isto tem sido validado por cientistas nos últimos
anos, que documentaram a capacidade do extrato da
folha de neutralizar vários tipos de veneno de abelha
e cobra.1-3 A Guaçatonga tem uma longa história de
utilização na medicina fitoterápica brasileira documentada
nos primeiros livros de uso popular como um antiséptico
e cicatrizante para doenças de pele (em 1939), como
anestésico tópico (em 1941), e como droga antiulcerosa
(em 1958).
Ela é atualmente utilizada na fitoterapia brasileira
como purificador do sangue, anti-inflamatório, antiviral,
para tratar reumatismo, sífilis, herpes, úlceras estomacais
e de pele, edema, todos os tipos de febre, diarréia,
e como anestésico e hemostático para muco e lesões
de pele. É também aplicada topicamente para queimaduras,
ferimentos, erupções cutâneas, e doenças de pele como
eczema e vitiligo.
O remédio fitoterápico natural requer 20 gramas de
folhas secas infundidos em 1 litro de água e uma quantidade
equivalente a um-quarto de um copo é tomada oralmente
de 2 a 3 vezes ao dia. A planta também é um remédio
fitoterápico popular empregado na Fitoterapia boliviana,
onde é considerada analgésica, antiácida, anti-inflamatória,
antiulcerosa, antimutagênica, antitumoral, e hemostática.
Na Bolívia é utilizada para tratar doenças de pele,
câncer, úlceras estomacais, mordidas de cobra e de
abelhas, herpes e em produtos atisépticos bucais.
A composição química da guaçatonga é um pouco complexa.
Cientistas que conduziram a pesquisa da antivenina,
descobriram que as folhas e galhos da planta contém
um fitoquímico chamado lapachol.3
Este é um conhecido e estudado composto anticancerígeno
e antifúngico de outra conhecida planta da floresta
tropical , o pau d'arco (Tabebuia impetiginosa), que
ganhou muito reconhecimento. Enquanto outros pesquisadores
estudam as propriedades anticancerígenas e antitumorais
da guaçatonga, uma parte completamente diferente de
fitoquímicos têm despertado seu interesse2.
Estes compostos , chamados de diterpenos clerodano
são encontrados em abundância na guaçatonga. Os diterpenos
clerodano têm sido testados para uma média grande
de atividades biológicas desde antiinfecciosos contra
insetos até agentes antitumorais, anticancerígenos
e antibióticos e para inibidores da replicação de
HIV. Alguns dos diterpenos clerodano documentados
na guaçatonga são compostos químicos novos , cujos
cientistas nomearam casearinas (A até S).
A pesquisa sobre as propriedades anticancerígenas
da guaçatonga, foi iniciada em 1988 por pesquisadores
japoneses da Faculdade de Farmacognosia e Farmácia
de Tóquio . Eles publicaram uma pesquisa preliminar
em 1988 sobre a descoberta destes novos diterpenos
clerodano e suas atividades citotóxica e antitumoral.
O estudo indicou que um extrato de etanol da folha
mostrou forte atividade antitumoral em camundongos
de laboratório com sarcomas.4 Assim que esta descoberta
foi feita, foi patenteada e portanto pela descoberta
das casearinas como novos agentes antitumorais, a
patente pertence aos japoneses.5
Em 1990 , um estudo de acompanhamento foi publicado,
novamente reportando resultados da injeção de um extrato
de etanol das folhas da guaçatonga em camundongos
com sarcomas (100 mg por gramas por peso) e confirmou
o achado anterior6 Eles testaram então, casearinas
individualmente contra vários tipos de células cancerígenas
e publicaram mais dois estudos em 1991 and 1992.7,8
Estes estudos reportaram os novos pincípios ativos
casearinas e suas atividades antitumorais e citotóxicas
contra tumores cancerígenos. Infelizmente, os pesquisadores
japoneses não publicaram nenhum outro estudo adicional
e como eles ainda são detentores da patente, outros
grupos de pesquisa não possuem disponibilidade para
investimento de dólares na pesquisa destes fitoquímicos
antitumorais já patenteados.
Em 2002, porém , um grupo bem conhecido de pesquisadores
na Carolina do Norte descobriu três novas casearinas
nas folhas e galhos da guaçatonga os quais os japoneses
não haviam documentado.(e obviamente não patenteado).
Eles nomearam os novos princípios ativos de casearvestrina
A, B e C, e publicaram seu primeiro estudo em fevereiro
de 2002, afirmando: "Todos os três compostos demonstrados
prometem bioatividade tanto na avaliação de citotoxicidade
contra um painel de tipos de células tumorais quanto
na avaliação antifúngica . . ."9
Esta pesquisa testou os novos princípios ativos contra
células tumorais de pulmão, cólon e ovário e indicou
que os três compostos obtiveram valores de IC50 na
média de 0.2 e 0.8:M. Esta pesquisa foi patrocinada
pelo Instituto nacional do Câncer dos EUA (NCI) e
Instituto nacional de Saúde e foi realizado por uma
empresa de biotecnologia sem fins lucrativos , uma
grande indústria farmacêutica e uma importante universidade.
O NCI têm realizado também em sua própria sede, pesquisas
sobre diterpenóides clerodano encontrados em outra
espécie de planta Casearia e documentou propriedades
antitumorais de seus novos diterpenóides10 e outro
grupo de pesquisadores universitários documentaram
as propriedades citotóxicas desta classe de princípios
ativos na planta Casearia procedente também da floresta
de Madagascar.11
Seria interessante verificar se esse grupo diversificado
realmente seria capaz de desenvolver estes princípios
ativos em novos agentes quimioterápicos; pesquisa
ainda em andamento. Todas as outras pesquisas sobre
atividades e princípios ativos da guaçatonga têm sido
realizadas por grupos de pesquisadores brasileiros
ao longo destes anos.
O primeiro estudo de toxicidade com ratos publicado
indicou nenhuma toxicidade com um extrato de etanol
das folhas a 1840 mg/kg.12 Este grupo de pesquisa
da Universidade de São Paulo, estudou propriedades
antiulcerogênicas da planta (com base na sua longa
história de uso na Fitoterapia como remédio antiulceroso).
Foram publicados dois estudos que confirmaram estes
benefícios. O primeiro estudo com ratos (em 1990),
mostrou que o extrato bruto da folha reduziu o volume
de secreção gástrica em 42%, embora apresentou pequeno
efeito sobre o pH.
O extrato também preveniu injúria aguda da mucosa
gástrica por indução laboratorial a 57.5 mg/kg, que
foi equivalente a droga antiúlcera, cimetidina (Tagamet®).12
Dez anos mais tarde, eles publicaram um segundo estudo
em ratos, documentando que o extrato bruto da folha
protegeu a mucosa estomacal sem alteração do pH gástrico
e aparecimento de úlceras por H. pylori e úlceras
crônicas induzidas por acelaração da secreção de ácido
acético.13
Outro pesquisador brasileiro, documentou que uma infusão
da casca e folha demonstrou propriedades analgésicas
e levemente anti-inflamatórias em camundongos.14
Um pesquisador de universidade acompanhou pesquisas
em anti-inflamatórios e publicou em sua dissertação
que um extrato hidroalcoólico das folhas foi tão eficaz
contra inflamação em camundongos quanto drogas anti-inflamatórias
não esteroidais (NSAID) como o Piroxicam e o Meloxicam®.15
Extratos da folha também demonstraram atividade contra
bactérias resistentes (Bacillus cerus e B. subtilis)
que envenenam comida comum , porém inatividade contra
outras bactérias comuns como Staphylococcus, Streptoccoccus,
e E. coli.16,17 Seria interessante verificar os resultados
das pesquisas em andamento com a guaçatonga em câncer.
Até o momento a guaçatonga é considerada uma planta
segura e um remédio fitoterápico natural para úlceras,3
Inflamações e dor e continuará a ser utilizada como
remédio para picada de cobra pela população indígena
da selva amazônica
- Atividades e Propriedades Documentadas:
: Analgésica, anestésica, antiácida, antifúngica,
antiinflamatória, antiulcerogênica, antiveneno,
antiviral, antimutagênica, antitumoral, cicatrizante,
citotóxica, depurativa, hemostática
- Principais Fitoquímicos: Ácido capriônico,
casearina A até S, casearia clerodano I até VI,
casearvestrina A até C, hesperitina, lapachol, vicenina
- Medicações Tradicionais: Vinte gramas
de folhas secas infundidas em um litro de água e
uma quantidade de um quarto de um copo é tomada
de 2 a 3 vezes ao dia. Como a maioria dos princípios
ativos são solúveis em água, folhas pulverizadas
em comprimidos ou cápsulas(2-4 gramas ao dia) podem
ser substituídos se desejado
- Contra-indicações: Nenhuma conhecida
- Interações Medicamentosas : Nenhuma reportada.
UTILIZAÇÃO ETNOBOTÂNICA NO MUNDO
|
| Bolívia |
Analgésico,
antiácido, anti-inflamatório, antiúlcera,
antimutagênico, antitumoral, antiséptico (dental),
cicatrizante, depurativo, hemostático, picada
de inseto, doenças de pele, picada de cobra
|
| Brasil |
Anti-inflamatório,
depurativo, diarréia, dores no tórax e corpo,
eczema, febres, resfriados, herpes, lepra,
estimulante sexual masculino, reumatismo,
sedativo, doenças de pele, picada de cobra,
sífilis, tônico, ferimentos |
| Colômbia |
Doenças
de pele, picada de cobra, úlceras |
| Índia |
Picada de cobra |
| Peru |
Diarréia |
|
Em todos os lugares |
Lepra, picada de cobra e
ferimentos |
Referências:
- 1. Borges, M., et al. "Neutralization of proteases
from Bothrops snake venoms by the aqueous extract
from Casearia sylvestris (Flacourtiaceae)."
Toxicon 2001; 39(12): 1863-69.
- 2. Borges, M., et al. "Effects of aqueous
extract of Casearia sylvestris (Flacourtiaceae)
on actions of snake and bee venoms and on activity
of phospholipases A(2)." Comp. Biochem. Physiol.
B. 2000 Sep 1; 127(1): 21-30.
- 3. Borges, M., et al. "Partial purification
of Casearia sylvestris Sa. extract and its anti-PLA2
Action." Comp. Biochem. Physiol. Ser. B. 2000;
127b(1): 21-30.
- 4. Itokawa, H., et al. "Antitumor principles
from Casearia sylvestris Sw. (Flacourtiaceae),
structure elucidation of new clerodane diterpenes
by 2-D NMR spectroscopy." Chem. Pharm. Bull.
(Tokyo) 1988 March; 36(4): 1585-88.
- 5. Itokawa, H., et al. "Isolation of diterpenes
as antitumor agents from plants." Patent-Japan
Kokai Tokyo Koho-01 1989; 149, 779: 6pp.
- 6. Itokawa, H., et al. "New antitumor principles,
casearins A-F, for Casearia sylvestris Sw. (Flacourtiaceae)"
Chem. Pharm. Bull. (Tokyo) 1990; 38(12): 3384-88.
- 7. Morita, H., et al. "Structures and cytotoxic
activity relationship of casearins, new clerodane
diterpenes from Casearia sylvestris Sw." Chem.
Pharm. Bull. (Tokyo) 1991 Dec; 39(3): 693-97.
4
- 8. Itokawa, H., et al. "Antitumor substances
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- 9. Oberlies, N. H., et al. "Novel bioactive
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of Casearia sylvestris." J. Nat. Prod. 2002;
65(2): 95-99.
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from Casearia arborea." J. Nat. Prod. 2000 63
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- 11. Sai Prakash, C. V., et al. "Structure
and stereochemistry of new cytotoxic clerodane
diterpenoids from the bark of Casearia lucida
from the Madagascar rainforest." J. Nat. Prod.
2002 65 (2):100- 7.
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crude extract." J. Ethnopharmacol. 1990; 30(2):185-97.
- 13. Sertie, J. A., et al. "Antiulcer activity
of the crude extract from the leaves of Casearia
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activities." Mem. Inst. Oswaldo Cruz 1991; 86,
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- 15. Almeida, A. (Dissertation, 4/02/99) "Antitumor
and anti-inflammatory effects of extract from
Casearia sylvestris: comparative study with
Piroxicam and Meloxicam." Instituto de Ciencias
Biomedicas, University of Saõ Paulo.
- 16. Chiappeta, A. D., et al. "Higher plants
with biological activity-plants of Pernambuco.
I." Rev. Inst. Antibiot. 1983; 21(1/2): 43-50.
- 17. de Almeida Alves, T. M., "Biological screening
of Brazilian medicinal plants." Mem. Inst. Oswaldo
Cruz. May/Jun. 2000; 95(3): 367-73.
Resumos de Estudos Clínicos :
J Nat Prod 2002 Feb;65(2):95-9 Novo diterpenóide
clerodano bioativo das folhas e galhos da Casearia
sylvestris. Oberlies, N.H. et al. O fracionamento
de um extrato de metanol das folhas e galhos da
Casearia sylvestris, dirigido pela atividade contra
a citotoxicidade das células KB, levou ao isolamento
de três novos diterpenóides clerodano, casearvestrinas
A-C (1-3). As estruturas de 1-3 foram deduzidas
de um a dois experimentos com RMN dimensional, incluindo
denominações estereoquímicas relativas baseadas
em correlações de ROESY e em constantes acopladas
de COSY. Todos os três compostos demonstraram possível
bioatividade tanto com relação à citotoxicidade
, na tentativa de uma ação contra um painel de tipos
de células tumorais , quanto à ação antifúngica
na inibição do crescimento do Aspergillus niger
em um disco de difusão
Phytochemistry 1998 Nov 20;49(6):1659-1662 Diterpenos
clerodano da Casearia sylvestris que danificam DNA
acetilados.
de Carvalho, P. R. et al. Dois novos diterpenos
do tipo casearinas (casearina S(2) e casearina T(3)
) além do já conhecido diterpeno casearina G(1),
foram isolados de um extrato bioativo acetilado
CH(2) Cl(2)/Me OH proveniente das folhas da Casearia
sylvestris . Os diterpenos de 1-3 monstraram atividade
moderada porém seletiva em relação à reparação de
DNA deficiente de Saccharomyces cerevisiae mutantes
do fermento RAD 52YK e RS 321. As estruturas de
1-3 foram estabelecidas com base em experimentos
espectroscópicos com RMN.
Toxicon 2001 Dec;39(12):1863-9 Neutralização das
proteases do veneno de cobra tipo Bothrops pelo
extrato aquoso da Casearia sylvestris (Flacourtiaceae).
Borges, M.H., et al. O extrato aquoso das folhas
da Casearia sylvestris, uma planta típica dos pastos
brasileiros, foi capaz de neutralizar a atividade
hemorrágica causada pelos venenos de Bothrops asper,
Bothrops jararacussu, Bothrops moojeni, Bothrops
neuwiedi e Bothrops pirajai.
Ele também neutralizou duas metaloproteinases do
veneno da Bothrops asper. A atividade proteolítica
da caseína induzida pelos venenos botrópicos e pelo
isolamento das proteases, incluindo metaloproteinase
Bn2 do veneno de Bothrops neuwiedi também foi inibida
por extratos silvestres da Casearia em diferentes
níveis.
A cadeia de alfa-fibrinogênio foi parcialmente protegida
contra a degradação causada pelo veneno de Bothrops
jararacussu , quando este veneno foi incubado com
extrato de Casearia sylvestris .
Nós também observamos que este extrato aumentou
parcialmente o tempo de coagulação plasmática causada
pelos venenos de Bothrops jararacussu, Bothrops
moojeni e Bothrops neuwiedi. O extrato de Casearia
sylvestris não induziu proteólise em nenhum dos
substratos obtidos. .
Comp Biochem Physiol B 2000 Sep 1;127(1):21-30 Efeitos
do extrato aquoso da Casearia sylvestris (Flacourtiaceae)
na atividade dos venenos de abelha e cobra e na
atividade das fosfolipases A(2).
Borges, M.H., et al. O extrato aquoso bruto
das folhas da Casearia sylvestris, uma planta encontrada
nos pastos brasileiros, foi identificado por sua
abilidade na inibição da atividade da fosfolipase
A(2) (PLA(2)) e ainda por algumas atividades em
relação a vários venenos de cobra e abelha de um
número de PLA(2)s isoladas.
O extrato induziu a inibição parcial da atividade
de PLA(2) dos venenos que contém PLA(2)s das classes
I, II e III. Quando testado contra as toxinas purificadas,
ele demonstrou maior eficácia contra PLA(2)s de
classe II do veneno viperídeo, e são relativamente
ineficazes contra pseudexina PLA(2) de classe I.
Além disso o extrato da Casearia sylvestris inibe
significantemente a atividade miotóxica de quatro
tipos de venenos brutos e de nove PLA(2)s miotóxicos
purificados, incluindo variáveis Lys-49 e Asp-49.
O extrato também foi capaz de inibir a atividade
anticoagulante de várias PLA(2)s isoladas, com exceção
da pseudodexina. Além disso, ela reduz parcialmente
a atividade indutora de edema dos vevenos da B.
moojeni e B. jararacussu, assim como das miotoxinas
MjTX-II e BthTX-I.
O extrato também prolongou o tempo de sobrevida
de camundongos que receberam várias doses letais
de diversos venenos de cobra e neutralizaram o efeito
letal induzido por diversas miotoxinas PLA(2) .
Pode-se concluir que a Casearia sylvestris constitui
uma fonte rica de inibidores de PLA(2) .
An Acad Bras Cienc 1999;71(2):181-7 Pesquisa
de antifúngicos e compostos anticâncer em espécie
de plantas nativas do Cerrado e da Mata Atlântica
Bolzani, V., et al. O fracionamento guiado por
bioatividade de diversos extratos bioativos obtidos
a partir de espécies de plantas do Cerrado e da
Mata Atlântica, levaram ao isolamento de potentes
piperidinas 1-5 que modificam o DNA e alcalóides
da guanidina 6-9 a partir da Cassia leptophylla
e Pterogyne nitens respectivamente, duas leguminosas
comuns presentes na Mata Atlântica.
Por intermédio da procura biotecnológica em Maytenus
aquifolium, uma espécie do Cerrado, um alcalóide
da piridina sesquiterpeno 10-11 (danificador de
DNA moderado) foi isolado.
O fracionamento guiado por bioavaliação na Casearia
sylvestris, uma espécie de planta medicinal encontrada
no Cerrado e na Mata Atlântica, levou ao isolamento
de diterpenos clerodano 12-13 que mostraram efeito
no DNA.
Além disso, nós reportamos vários interessantes
antifúngicos iridóides potentes: 1 beta-hidroxi-dihidrocornina
(14), 1alpha-hidroxi-dihidrocornina (15), alpha-gardiol
(16), beta-gardiol (17), plumericina (18), isoplumericina
(19), 11-O-trans-cafeoilteucreina (20); derivados
do éster: 2-metil-4-hidroxi-butil-cafeoato (21),
amido de pirrolidina N-[7-(3',4'-metilenedioxifenil)-2Z,
4Z-heptadienoil] (22) e viburgenina triterpeno (23)
.
Chem Pharm Bull (Tokyo) 1991 Mar;39(3):693-7
Relação entre a estrutura e a atividade citotóxica
das casearinas, novos diterpenos clerodanos da Casearia
sylvestris Sw.
Morita, H., et al. As casearinas G-R, são novos
diterpenos clerodano citotóxicos, isolados a partir
das folhas da Casearia sylvestris Sw. (Flacourtiaceae).
Suas estruturas foram estabelecidas por métodos
espectroscópicos e conversões químicas. A relação
estrutura-atividade ainda está em fase de discussão.
Chem Pharm Bull (Tokyo) 1990 Dec;38(12):3384-8
Novos princípios antitumorais, casearinas A-F, da
Casearia sylvestris Sw. (Flacourtiaceae).
Itokawa, H., et al. Novos diterpenos clerodano antitumorais,
denominados casearinas A-F, foram isolados a partir
das folhas da Casearia sylvestris Sw.(Flacourtiaceae).
Estas estruturas foram completamente esclarecidas
através de duas ressonâncias magnéticas nucleares
dimensionais, espectroscopia por dicroísmo circular,
análises de Raio-X e evidências químicas.
Mem Inst Oswaldo Cruz 1991;86 Suppl 2:203-5 Seleção
farmacológica de plantas recomendadas pela medicina
popular como veneno antiofídico. Atividades analgésica
e anti-inflamatória.
Ruppelt, B.M., et al. Nós observamos que diversas
plantas utilizadas popularmente como veneno antiofídico
mostraram atividades anti-inflamatórias
A partir da lista preparada por Rizzini, Mors e
Pereira, algumas espécies foram selecionadas e testadas
em relação a atividade analgésica (número de contorções)
e atividade anti-inflamatória (solução 1 % - Difusão
do corante azul de Evans ) de acordo com a técinica
de Whittle's (administração intraperitoneal de 0.1
ml/10 g de ácido N-acético) em camundongos.
A administração oral prévia de 10% da infusão(planta
desidratada) ou 20% (planta fresca) correspondente
a 1 ou 2 g/kg de Apuleia leiocarpa, Casearia sylvestris,
Brunfelsia uniflora, Chiococca brachiata, Cynara
scolymus, Dorstenia brasiliensis,Elephantopus scaber,
Marsypianthes chamaedrys, Mikania glomerata e Trianosperma
tayuya demonstrou atividades analgésicas e/ou anti-inflamatórias
de diversas intensidades .
J Ethnopharmacol 1990 Sep;30(2):185-97 Avaliação
farmacológica da Casearia sylvestris. I: Atividade
preventiva anti-ulcerativa e toxicidade do extrato
puro da folha.
Basile, A.C., et al. Um extrato de etanol das
folhas da Casearia sylvestris brasileira, administrada
oralmente, inibiu a secreção gástrica em ratos com
piloro ligado.
A uma dose profilática de 57.5 mg/kg, o extrato
mostrou uma redução do suco gástrico mais efetiva
que o misoprostol (500 microgramas/kg). Na redução
da produção de ácido hidroclórico, o extrato foi
menos efetivo que o misoprostol, a cimetidina (32.0
mg/kg) e atropina (5.3 mg/kg).
Com o extrato, o pH do estômago não foi significantemente
diferente dos outros controles. Lesões induzidas
por stress produzidas por restrição e imersão de
água foram significantemente prevenidas pelo extrato
em todos os níveis de gravidade quando comparado
aos controles.
O extrato pareceu ser mais efetivo que o misoprostol
suprimindo a luz das lesões. Foi equivalente à cimetidina
e ao misoprostol para lesões moderadas e foi menos
efetivo que a cimetidina e misoprostol para lesões
graves.
Experimentos toxicológicos indicaram uma baixa toxicidade
aguda, confirmado pelo teste diário subcrônico.
O valor da dose oral DL50 maior que 1840 mg/kg foi
32 vezes maior que DE50 (57.5 mg/kg) antiulcerogênica
.
- Informações Etnomédicas sobre a Guaçatonga
(Casearia sylvestris)
VER
TABELA
- Compostos Presentes na Guaçatonga (Casearia
sylvestris)
VER
TABELA
|